Energia em mudança: mais renováveis, maior capacidade instalada e dependência persistente do petróleo
Análise do INE abrange o período 2015-2024
1 de junho, 2026

Crédito da Foto: Pixabay
No Dia Mundial da Energia, que se assinalou a 29 de maio, e num contexto marcado pelos desafios da segurança energética e da redução da dependência externa, o Instituto Nacional de Estatística (INE) destaca a evolução recente das energias renováveis em Portugal e o seu contributo para a transformação da matriz energética nacional e para o acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 7).
«Em 2024, a matriz energética portuguesa continuou a evidenciar sinais de transformação. A produção doméstica de energia, praticamente assente em fontes renováveis, atingiu 8 018 ktep, o valor mais elevado da série em análise, correspondendo a 39,4% do consumo de energia primária. As fontes renováveis representaram 38,3% do consumo de energia primária em 2024, mais 3,5 p.p. do que em 2023, refletindo, sobretudo, o aumento da produção hídrica e fotovoltaica. O petróleo manteve-se como a principal fonte de energia primária representando 40,8% do total», lê-se na nota explicativa do INE.
Já a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis representou 86,2% do total produzido. A capacidade instalada renovável atingiu 20 777 MW, correspondendo a 78,1% da potência total instalada para produção de eletricidade, destacando-se a tecnologia fotovoltaica, cuja potência instalada aumentou 45,6% face ao ano anterior.
O setor dos transportes continua a constituir um dos principais desafios da transição energética, sendo responsável, em média, por 35,6% do consumo final de energia no período 2015-2024, indica o INE. Neste período, os preços médios dos combustíveis rodoviários apresentaram uma trajetória global de aumento. Após o máximo registado em 2022, os preços médios diminuíram em 2023 e estabilizaram em 2024-2025.
No início de 2026 observou-se um aumento acentuado, enquadrado num contexto internacional de maior incerteza nos mercados energéticos, associado à volatilidade do preço do petróleo e ao agravamento das tensões geopolíticas, designadamente no Médio Oriente. Em março de 2026, a gasolina IO95 atingiu 1,833 €/litro, mais 4,1% do que em janeiro de 2015. O gasóleo rodoviário registou uma subida mais expressiva (14,4%) atingindo 1,896 €/litro. Apesar do agravamento dos preços no início de 2026, o consumo de combustíveis rodoviários manteve-se relativamente estável, confirmando a limitada elasticidade do consumo perante variações de preço no curto prazo.
No contexto europeu, «Portugal apresenta uma posição favorável nos indicadores de incorporação de energias renováveis. Em 2024, a quota global de FER no consumo final bruto de energia situou-se em 36,3%, acima da média da UE (25,2%), embora ainda distante da meta nacional de 51,0% para 2030. Também na eletricidade, Portugal registou um valor superior ao da UE (65,8%, face a 47,5%). Nos transportes, apesar de a quota renovável nacional (14,3%) exceder a média da UE (11,2%), este continua a ser o domínio mais exigente da transição energética. A dependência energética nacional permaneceu acima da média da UE (64,5%, face a 57,3%), refletindo a ausência de produção nacional de combustíveis fósseis e o peso ainda significativo do petróleo, em particular nos transportes».