Dia das Bombas de Calor: Entrevista com Fernando Madeira

Vice-Presidente da Direção da AIPOR, em representação da Climábitus

21 de outubro, 2026
foto de Fernando Madeira tipo passe
Crédito da Foto: Direitos Reservados (AIPOR)
No dia das Bombas de Calor, a AIPOR - Associação dos Instaladores de Portugal publica entrevistas sobre a importância do tema no contexto do mercado português. 
O tema, em 2026, do Dia das Bombas de Calor (Heat Pump Day) incide na «Competitividade na União Europeia e Empregos», destacando o papel fundamental que as bombas de calor desempenham no reforço da economia, da indústria e da força de trabalho europeias.

Publicamos a entrevista com Fernando Madeira, Vice-Presidente da Direção da AIPOR, em representação da Climábitus Lda.

AIPOR - O Dia Mundial das Bombas de Calor, assinalado a 21 de outubro, constitui uma oportunidade para destacar o papel desta tecnologia na transição energética. Que importância assumem atualmente as bombas de calor em Portugal, e de que forma podem contribuir para reduzir o consumo de energia e as emissões de carbono?

FERNANDO MADEIRA -
As bombas de calor assumem um papel cada vez mais importante em Portugal na transição energética ao permitirem aquecer e arrefecer edifícios e produzir águas quentes sanitárias com elevada eficiência, logo com custos reduzidos. Ao transferirem o calor do ar, da água ou dos furos no solo, conseguem fornecer mais energia térmica do que a eletricidade consumida. Desta forma, baixam significativamente os custos de utilização e as emissões de dióxido de carbono. 
Em Portugal, esta tecnologia é particularmente relevante devido ao potencial de utilização de eletricidade renovável, como a solar, a hídrica e a eólica. As bombas de calor também ajudam a diminuir a dependência de combustíveis fósseis e contribuem para os objetivos nacionais de redução das emissões de carbono.
Em conclusão, as bombas de calor são uma solução eficiente e sustentável para produzir energia térmica.

AIPOR - Quais são as principais vantagens das bombas de calor para as empresas e para os consumidores, nomeadamente ao nível da eficiência energética, da redução dos custos de utilização e da sustentabilidade, e quais são ainda os principais obstáculos à sua adoção em Portugal?

FERNANDO MADEIRA -
Respondendo por cada uma das vantagens:
  • Eficiência energética: as bombas de calor aproveitam a energia térmica do ambiente/solo para aquecer ou arrefecer espaços e produzir água quente com um consumo reduzido de eletricidade.
  • Redução de custos: quando bem dimensionadas e instaladas, podem reduzir a fatura energética em comparação com sistemas convencionais de aquecimento a gás/gasóleo ou equipamentos elétricos de resistência. 
  • Sustentabilidade: reduzem o consumo de combustíveis fósseis e as emissões de gases com efeito de estufa.
  • Conforto e versatilidade: permitem aquecer/arrefecer os espaços, além de produzir águas quentes sanitárias. Os atuais sistemas de controlo também contribuem para uma utilização mais racional e versátil.
Mas existem obstáculos à sua implementação em Portugal:
  • Limitações de espaço para a sua instalação, principalmente em apartamentos com áreas limitadas;
  • Moradias sem isolamento térmico ou de construção antiga, que poderão de ter de efetuar modificações para obter bons resultados com a instalação das bombas de calor;
  • Falta de profissionais qualificados para a instalação e projeto de modo a garantir uma instalação bem executada;
  • Investimento inicial elevado. O custo de compra/instalação pode ser um impedimento, apesar da posterior economia que pode ser obtida com a sua utilização;
  • Também a falta de informação é um obstáculo. Nos últimos tempos fala-se muito das bombas de calor, mas esta tecnologia tem dezenas de anos, claro que cada vez mais aperfeiçoada, tal como em todos os equipamentos tecnológicos.
No anterior Governo, o programa do Fundo Ambiental contribuiu muito para a implantação destes sistemas.
Em conclusão, as bombas de calor representam uma oportunidade para Portugal tornar o consumo de energia mais eficiente, reduzir os custos a longo prazo e acelerar a descarbonização. Para aumentar a sua adoção, é importante facilitar o acesso a apoios financeiros, reforçar a informação aos consumidores e promover a qualificação dos profissionais do setor.

AIPOR - Tendo em conta as metas de descarbonização dos edifícios e a necessidade de substituir equipamentos que utilizam combustíveis fósseis, como avalia o potencial de crescimento do mercado das bombas de calor em Portugal e que medidas considera essenciais para acelerar a sua implementação?

FERNANDO MADEIRA -
O potencial de crescimento do mercado das bombas de calor em Portugal é muito significativo, tendo em conta as metas de descarbonização dos edifícios, a necessidade de substituir equipamentos a gás e a gasóleo e a importância de melhorar a eficiência energética dos edifícios residenciais, comerciais e industriais.
Este potencial já existe há alguns anos em Portugal e poderá ser reforçado com algumas medidas tais como: alargar os apoios financeiros do Estado para instalação tanto das bombas de calor como para as obras necessárias em edifícios antigos mal isolados termicamente; a energia elétrica deveria ser mais económica; medidas para divulgação e informação do público em geral, e também, entre outras, a formação de técnicos.
Em resumo, nós temos condições para desenvolver significativamente o mercado das bombas de calor. Para concretizar esse potencial é fundamental ter incentivos financeiros do Estado, eletricidade a preços mais baixos, edifícios energeticamente eficientes e profissionais qualificados. Deste modo, é possível incrementar a substituição de equipamentos a combustíveis fósseis e reduzir as emissões de carbono melhorando o conforto das habitações.

AIPOR - Enquanto empresa que opera neste setor, quais são os principais desafios técnicos e profissionais associados à instalação e manutenção de bombas de calor e que papel desempenham a qualificação dos instaladores, a inovação tecnológica e a sensibilização dos consumidores na expansão desta solução?

FERNANDO MADEIRA -
Como empresa que opera este setor, os principais desafios consistem em executar instalações corretamente dimensionadas, assegurar a sua eficiência, assim como assegurar a manutenção adequada ao longo da sua utilização.
Ao nível de projeto ter em atenção a adaptação dos equipamentos às características de cada edifício, a eventual integração com os sistemas já existentes, e o cumprimento das normas de segurança, principalmente as aplicáveis aos fluidos frigorigéneos dadas as acreditações necessárias. 
Uma informação clara aos clientes, o esclarecimento das suas dúvidas quanto aos possíveis sistemas e poupanças obtidas facilita a decisão de investimento.
Em conclusão, a expansão das bombas de calor em Portugal depende não só da evolução da tecnologia, mas também da existência de profissionais qualificados, de serviços de instalação e manutenção de qualidade, e de consumidores bem informados. Esta combinação será decisiva para acelerar a transição energética e tornar os edifícios mais eficientes e sustentáveis.
bombas de calor no exterior de casa branca
Crédito da Foto: Gerada por IA