Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R: Entrevista com Odete Almeida
Coordenadora da Comissão de Especialização em Climatização da Ordem dos Engenheiros (OE)
26 de outubro, 2026

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AIPOR - Associação dos Instaladores de Portugal vai assinalar durante os próximos dias a
Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R, com um conjunto de entrevistas e vídeos num desafio inédito que lançou a cinco mulheres do setor em Portugal.
A iniciativa decorre de 25 a 31 de outubro de 2026, sendo o tema central «Vozes locais. Conexões globais. Uma comunidade HVACR». Reúne profissionais dos setores do aquecimento, da ventilação, do ar condicionado e da refrigeração e tem como objetivo aproximar mulheres que trabalham nesta área, através de networking e partilha de conhecimentos.
Assim, ao longo de toda a semana, partilhamos com os profissionais do setor e com a sociedade civil, através do site da AIPOR e das nossas redes sociais, várias entrevistas e vídeos de várias mulheres com provas dadas e que, ao longo das últimas décadas, construíram uma carreira exemplar no setor e que são reconhecidas em Portugal não só pelas suas competências técnicas, profissionais e humanas, mas também pelo talento em cargos de liderança que ocupa(ra)m.
Publicamos hoje a entrevista com a Eng.ª Odete Almeida, Coordenadora da Comissão de Especialização em Climatização da OE.
“O futuro constrói-se com pessoas de diferentes gerações”
AIPOR - Qual é a importância de celebrar a Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R e de que forma esta iniciativa pode contribuir para dar maior visibilidade ao papel das mulheres numa área estratégica para a economia, a transição energética e a sustentabilidade ambiental?
ODETE ALMEIDA - Considero que esta iniciativa é importante porque permite dar a conhecer melhor a indústria do AVAC&R e as pessoas, e neste caso as profissionais que nele trabalham, reconhecendo-lhes os seus contributos para o desenvolvimento do setor. Esta semana é uma oportunidade para dar visibilidade ao trabalho das mulheres, mas também para despertar o interesse das jovens pelas áreas técnicas e tecnológicas e valorizar as profissionais que, ao longo dos anos, têm contribuído para o crescimento do setor. Contudo, na minha perspetiva, o mais importante é promover uma cultura em que todas as pessoas tenham oportunidade de desenvolver as suas capacidades e de contribuir com o seu conhecimento e experiência. Precisamos de valorizar o talento em todas as idades e de criar condições para que diferentes gerações possam trabalhar em conjunto, aprender umas com as outras e preparar o futuro do setor.
AIPOR - Qual é, na sua perspetiva, a importância das mulheres que trabalham no setor AVAC&R em Portugal e de que forma o seu contributo tem sido relevante para a modernização, a inovação e a eficiência energética dos edifícios e das instalações técnicas?
ODETE ALMEIDA - O desenvolvimento do setor AVAC&R resulta do contributo de muitos profissionais, com diferentes formações, experiências e competências. As mulheres fazem parte deste percurso para melhorar a qualidade dos projetos, das instalações, fiscalização, comissionamento, manutenção e dos restantes serviços.
A modernização do setor depende da capacidade de acompanhar a evolução tecnológica, escolher corretamente os sistemas e procurar soluções que permitam melhorar o desempenho dos edifícios e reduzir os consumos energéticos. Acredito que a experiência acumulada pelas profissionais mais seniores, aliada aos conhecimentos e às novas perspetivas das mais jovens, é essencial para continuar a evoluir. O conhecimento não tem idade nem género, contudo o setor beneficia quando consegue reunir diferentes competências e experiências em torno de objetivos comuns.
AIPOR - O setor AVAC&R continua a estar associado a profissões predominantemente masculinas. Que medidas considera fundamentais para atrair mais mulheres para estas áreas técnicas e tecnológicas, desde a formação profissional e o ensino superior até à integração e progressão nas empresas?
ODETE ALMEIDA - Penso que devemos começar por dar a conhecer melhor as profissões do setor AVAC&R, mostrando às jovens as oportunidades que existem nas áreas da engenharia, da instalação, da manutenção, da gestão e das novas tecnologias. É importante que as escolhas profissionais sejam feitas de acordo com os interesses, as capacidades e a vocação de cada uma, mas sem ideias preconcebidas sobre as profissões que homens ou mulheres devem exercer. Para isso, as escolas, as instituições de ensino superior, os centros de formação e as empresas têm um papel fundamental na divulgação destas carreiras às jovens. As empresas devem criar condições para que todos possam desenvolver o seu potencial, independentemente do género ou da idade, valorizando o mérito, a experiência, a capacidade de aprendizagem e a qualidade do trabalho. No entanto, considero importante reconhecer que existem fases da vida que podem trazer desafios específicos, nomeadamente a maternidade. Ser mãe implica mudanças e responsabilidades que podem ter impacto na organização da vida profissional, sobretudo quando nem sempre existem condições que permitam conciliar as duas dimensões. Por isso, é importante que as empresas promovam ambientes de trabalho que facilitem essa conciliação, através de uma maior compreensão, flexibilidade e de medidas que permitam às mulheres continuar a desenvolver e progredir nas suas carreiras sem serem penalizadas por terem sido mães.
AIPOR - Num contexto de transição energética, descarbonização e crescente exigência de competências técnicas especializadas, que mensagem gostaria de deixar às mulheres que já trabalham no setor AVAC&R e às jovens que ponderam construir o seu futuro profissional nesta área?
ODETE ALMEIDA - A mensagem que gostaria de deixar é que vivemos um período de grandes mudanças, em que a eficiência energética, a descarbonização e a qualidade do ar interior dos edifícios assumem uma importância crescente. Estes desafios exigem profissionais qualificados, disponibilidade para aprender e capacidade para trabalhar em conjunto. Às jovens, diria que procurem conhecer as oportunidades que existem nas áreas técnicas e tecnológicas e que não tenham receio de escolher uma profissão diferente daquilo que tradicionalmente se espera. Às profissionais mais experientes, deixaria o incentivo para continuarem a partilhar o seu conhecimento e a acompanhar a evolução do setor. E a todos os que nele trabalham, reforçaria a importância da formação contínua, da colaboração e do respeito pelas competências de cada pessoa. Enquanto engenheira mecânica na área da climatização, considero que temos uma responsabilidade importante na procura de soluções que melhorem o conforto, reduzam os consumos energéticos e contribuam para edifícios mais saudáveis. Acredito que o futuro se constrói com pessoas de diferentes gerações, com conhecimentos e experiências complementares, que trabalham em conjunto e partilham os mesmos objetivos.