Estudo: Construção mantém oportunidades em infraestruturas, mas financiamento e execução continuam a pressionar empresas

Documento elaborado pela Allianz Trade traça perfil do setor da Construção em 2026

18 de setembro, 2026
vários guindastes ao por-do-sol
Crédito da Foto: Unsplash
O setor da Construção continua a demonstrar resiliência em 2026, apoiado por investimento público, projetos de infraestrutura, transição energética e forte procura por data centers.
No entanto, a Allianz Trade alerta que o setor permanece exposto a desafios relevantes de financiamento, execução e rentabilidade, classificando a Construção como de risco sensível para as empresas no seu Setor Atlas 2026.

O estudo analisa o risco setorial em 17 setores, avaliando quatro dimensões principais: procura, rentabilidade, liquidez e ambiente de negócio. A metodologia da Allianz Trade mede o risco de não pagamento das empresas a partir de dados internos, fontes externas e análise especializada, classificando os setores numa escala de quatro níveis: baixo risco, quando os fundamentos são sólidos e as perspetivas favoráveis; risco médio, quando existem sinais de fragilidade ou possível abrandamento; risco sensível, quando há fragilidades estruturais e uma perspetiva menos favorável; e risco elevado, quando o setor enfrenta uma crise iminente ou já reconhecida.

De acordo com o estudo, os segmentos residencial e comercial continuam condicionados por custos de financiamento elevados e maior cautela no investimento privado. Em contrapartida, os projetos de infraestrutura pública, energia, redes elétricas, renováveis, defesa e data centers estão a sustentar a atividade e a criar oportunidades para empresas com capacidade técnica, financeira e operacional.

A construção de data centers surge como um dos motores mais dinâmicos do setor, impulsionada pelo crescimento da inteligência artificial e da computação em cloud. Este investimento está a beneficiar sobretudo empresas de engenharia, construção especializada e infraestrutura energética. Ainda assim, a Allianz Trade sublinha que a capacidade de transformar oportunidades em rentabilidade dependerá da gestão de custos, prazos, mão de obra e risco contratual.

Apesar da estabilização dos custos de materiais, persistem riscos relevantes. A escassez de mão de obra qualificada, os atrasos no licenciamento, a complexidade regulatória e a exposição a contratos de preço fixo continuam a pesar sobre margens. Num setor tradicionalmente caracterizado por baixos níveis de rentabilidade e elevadas necessidades de fundo de maneio, a seleção criteriosa de projetos e o controlo de custos tornam-se fatores críticos de resiliência.

A Allianz Trade antecipa que a construção civil e de infraestruturas continue a evoluir de forma desigual. A engenharia civil deverá manter-se como o segmento mais forte, apoiada por energia, transportes, água, defesa e redes elétricas. Já a construção residencial deverá recuperar de forma mais gradual, à medida que as condições de financiamento aliviem, enquanto o segmento comercial deverá permanecer mais condicionado.

Principais destaques do estudo:
  • A Allianz Trade prevê que o crescimento global abrande para 2,5% em 2026, antes de recuperar para 2,9% em 2027.
  • A IA deverá representar cerca de um terço do crescimento dos EUA.
  • O investimento em infraestrutura dos hyperscalers deverá atingir 725 mil milhões de dólares em 2026 e ultrapassar 1 bilião de dólares em 2027.
  • Os semicondutores são o principal beneficiário do ciclo de investimento em IA.
  • Setores cíclicos como automóvel, construção, retalho, têxteis, transporte e químicos continuam pressionados por custos, tarifas, financiamento e margens reduzidas.
  • Energia, defesa e semicondutores concentram uma parte relevante do crescimento de receitas.
  • Na Europa, a performance empresarial continua concentrada em energia, defesa e semicondutores, enquanto automóvel, transporte, retalho discricionário e metais permanecem sob pressão.
  • A Allianz Trade identifica uma economia a três velocidades, em que o risco varia de forma significativa por setor e cadeia de valor.