A iniciativa decorre de 25 a 31 de outubro de 2026, sendo o tema central «Vozes locais. Conexões globais. Uma comunidade HVACR». Reúne profissionais dos setores do aquecimento, da ventilação, do ar condicionado e da refrigeração e tem como objetivo aproximar mulheres que trabalham nesta área, através de networking e partilha de conhecimentos.
Assim, ao longo de toda a semana, partilhamos com os profissionais do setor e com a sociedade civil, através do site da AIPOR e das nossas redes sociais, várias entrevistas e vídeos de várias mulheres com provas dadas e que, ao longo das últimas décadas, construíram uma carreira exemplar no setor e que são reconhecidas em Portugal não só pelas suas competências técnicas, profissionais e humanas, mas também pelo talento em cargos de liderança que ocupa(ra)m.
Publicamos hoje a entrevista com a Eng.ª Ana Fernandes, Vice-Presidente da EFRIARC.
«Precisamos de Ações de Sensibilização e Orientação Vocacional em escolas que mostrem o verdadeiro valor das carreiras do setor»
AIPOR - Qual é a importância de celebrar a Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R e de que forma esta iniciativa pode contribuir para dar maior visibilidade ao papel das mulheres numa área estratégica para a economia, a transição energética e a sustentabilidade ambiental?
ANA FERNANDES - Mais do que uma iniciativa simbólica, a celebração da Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R pode incentivar jovens estudantes de engenharia e áreas STEM a olharem para o setor AVAC&R como uma carreira atrativa, inovadora e de elevado impacto. Também pode ajudar a desmistificar esta perceção de que o setor técnico/industrial é maioritariamente do género masculino. As mulheres são 50% do potencial produtivo e criativo da sociedade, e a capacidade de resposta da engenharia aos grandes desafios da transição energética e da sustentabilidade ambiental também depende do capital humano. Equipas multidisciplinares e diversificadas produzem soluções mais equilibradas, resilientes e integradas.
AIPOR - Qual é, na sua perspetiva, a importância das mulheres que trabalham no setor AVAC&R em Portugal e de que forma o seu contributo tem sido relevante para a modernização, a inovação e a eficiência energética dos edifícios e das instalações técnicas?
ANA FERNANDES - Na maioria esmagadora das áreas do nosso setor, as mulheres trabalham em igualdade de circunstâncias com os seus colegas, com base no mérito, na competência técnica e na capacidade de liderança. Há mulheres com participação ativa em comissões técnicas, de normalização, na elaboração de cadernos de encargos, e de grandes projetos, em gestão de instalações, e na governança de associações, o que contribui significativamente para o desenvolvimento e modernização do setor.
AIPOR - O setor AVAC&R continua a estar associado a profissões predominantemente masculinas. Que medidas considera fundamentais para atrair mais mulheres para estas áreas técnicas e tecnológicas, desde a formação profissional e o ensino superior até à integração e progressão nas empresas?
ANA FERNANDES - São precisas medidas de atração e retenção de talento, seja de mulheres, jovens, ou pessoas em mudança de carreira. A perceção que o trabalho em AVAC-R pode ser “pesado”, sempre em ambientes de obra ou industriais, esconde a nova realidade, carreiras com forte componente de tecnologia, automação, sustentabilidade e análise de dados. Precisamos de Ações de Sensibilização e Orientação Vocacional em escolas que mostrem o verdadeiro valor das carreiras do setor, sejam operacionais ou de engenharia; precisamos de mentorias que apoiem o desenvolvimento de carreira a quem ingressa, partilha de ferramentas para ultrapassar desafios, e, como em qualquer outro setor, precisamos de planos de progressão eficazes, igualdade e justiça salarial, e políticas reais de conciliação Trabalho/Família.
AIPOR - Num contexto de transição energética, descarbonização e crescente exigência de competências técnicas especializadas, que mensagem gostaria de deixar às mulheres que já trabalham no setor AVAC&R e às jovens que ponderam construir o seu futuro profissional nesta área?
ANA FERNANDES - É fundamental que as mulheres vejam o impacto social e ambiental de uma carreira em AVAC-R. Nos edifícios, evoluímos de «instalar equipamentos» para «garantir a saúde das pessoas», por exemplo. O nosso setor está no centro da descarbonização, da transição energética e do conforto nos espaços. Responder a estes desafios exige rigor e criatividade, mas também uma visão ampla e inclusiva da sustentabilidade e da gestão de recursos - competências onde o talento feminino pode fazer toda a diferença.