Nesta entrevista, defende a igualdade de oportunidades, a qualificação profissional e a criação de condições para atrair mais mulheres para as áreas técnicas e tecnológicas, sublinhando que o futuro das Instalações Técnicas Especiais se constrói com competência, inovação e diversidade.
Recordamos que, ao longo de toda a semana, partilhamos com os profissionais do setor e com a sociedade civil, através do site da AIPOR e das nossas redes sociais, entrevistas e vídeos de várias mulheres com provas dadas e que, ao longo das últimas décadas, construíram uma carreira exemplar no setor e que são reconhecidas em Portugal não só pelas suas competências técnicas, profissionais e humanas, mas também pelo talento em cargos de liderança que ocupa(ra)m.
«Dar visibilidade às mulheres é valorizar o talento e contribuir para uma sociedade mais equilibrada»
AIPOR - Qual é a importância de celebrar a Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R e de que forma esta iniciativa pode contribuir para dar maior visibilidade ao papel das mulheres numa área estratégica para a economia, a transição energética e a sustentabilidade ambiental?
CELESTE CAMPINHO - A Semana Global das Mulheres no Setor AVAC&R é uma iniciativa de grande importância para dar visibilidade a uma realidade que merece ser mais reconhecida: o contributo das mulheres para um setor fundamental para a economia, para a qualidade de vida das pessoas e para a sustentabilidade ambiental. O setor AVAC&R desempenha um papel determinante na eficiência energética dos edifícios, na qualidade do ar interior, na redução das emissões e no cumprimento dos objetivos de descarbonização. Estamos perante uma área em profunda transformação, que exige conhecimento técnico, capacidade de adaptação e inovação. É fundamental que as mulheres que já trabalham neste setor sejam reconhecidas pelo seu mérito e pelas competências que trazem às empresas e às organizações. Ao mesmo tempo, precisamos de mostrar às novas gerações que o AVAC&R oferece oportunidades profissionais diversificadas, qualificadas e com futuro.
Na AIPOR, entendemos que promover a participação feminina é também contribuir para o desenvolvimento e a competitividade do setor. Dar visibilidade às mulheres é valorizar o talento, combater estereótipos e ajudar a construir uma atividade mais representativa da sociedade, equilibrada e mais preparada para os desafios que temos pela frente.
AIPOR - Qual é, na sua perspetiva, a importância das mulheres que trabalham no setor AVAC&R em Portugal e de que forma o seu contributo tem sido relevante para a modernização, a inovação e a eficiência energética dos edifícios e das instalações técnicas?
CELESTE CAMPINHO - As mulheres são cada vez mais importantes para o desenvolvimento do setor AVAC&R em Portugal, contribuindo para diferentes áreas, desde a engenharia, a fase do projeto à gestão, passando pela instalação, manutenção, investigação e direção de empresas. A modernização dos edifícios e das instalações técnicas exige equipas qualificadas, capazes de responder a desafios cada vez mais complexos. A eficiência energética, a integração de energias renováveis, a digitalização dos sistemas e a melhoria da qualidade do ar interior requerem competências técnicas especializadas, pensamento crítico e capacidade de inovação. As mulheres têm demonstrado estar plenamente preparadas para assumir estas responsabilidades. É importante sublinhar que o valor de um profissional não depende do género, mas da sua formação, competência, dedicação e capacidade de trabalho. O que precisamos é de garantir que todas as pessoas têm condições para aceder às oportunidades e desenvolver o seu potencial. Enquanto associação representativa das empresas instaladoras em Portugal, a AIPOR considera essencial valorizar os profissionais e as empresas que investem na qualificação, na inovação e na qualidade dos serviços. A maior participação das mulheres é uma oportunidade para reforçar a base de talento do setor e responder às necessidades de uma atividade cada vez mais exigente e tecnologicamente avançada.
AIPOR - O setor AVAC&R continua a estar associado a profissões predominantemente masculinas. Que medidas considera fundamentais para atrair mais mulheres para estas áreas técnicas e tecnológicas, desde a formação profissional e o ensino superior até à integração e progressão nas empresas?
CELESTE CAMPINHO - O primeiro passo é começar pela educação e pela orientação profissional. É necessário dar a conhecer estas profissões às crianças e aos jovens, em particular às mulheres, mostrando-lhes que o setor AVAC&R vai muito além da imagem tradicional associada aos trabalhos de instalação. É uma área que integra engenharia, tecnologia, sustentabilidade, gestão e inovação, com oportunidades de especialização e progressão profissional. As escolas, os centros de formação profissional, as instituições de ensino superior, as associações empresariais e as próprias empresas têm aqui um papel decisivo. Precisamos de aproximar os jovens das empresas, promover visitas, estágios, experiências práticas e iniciativas que mostrem a realidade do setor. A presença de mulheres profissionais como exemplos de sucesso é igualmente importante para inspirar novas escolhas. Mas não basta atrair mulheres para a formação. É necessário garantir condições de integração, ambientes de trabalho inclusivos, oportunidades de progressão e acesso a funções de responsabilidade. As empresas devem apostar no recrutamento baseado nas competências, na formação contínua e em políticas que permitam conciliar a vida profissional e pessoal. A AIPOR defende a valorização das qualificações e a criação de condições para que o setor consiga atrair e reter talento. Num contexto de escassez de profissionais especializados, não podemos desperdiçar competências por preconceitos ou ideias ultrapassadas sobre determinadas profissões. A diversidade deve ser encarada como uma oportunidade para reforçar a capacidade de resposta das empresas e o futuro das Instalações Técnicas Especiais.
O compromisso da AIPOR
AIPOR - Num contexto de transição energética, descarbonização e crescente exigência de competências técnicas especializadas, que mensagem gostaria de deixar às mulheres que já trabalham no setor AVAC&R e às jovens que ponderam construir o seu futuro profissional nesta área?
CELESTE CAMPINHO - Às mulheres que já trabalham no setor AVAC&R, gostaria de deixar uma mensagem de reconhecimento e incentivo: o vosso trabalho é importante e tem um impacto concreto na modernização dos edifícios, na eficiência energética, na sustentabilidade e na qualidade de vida das pessoas. Continuem a investir na vossa formação, a desenvolver as vossas competências e a assumir novos desafios. A vossa experiência é valiosa e pode abrir caminho a outras mulheres. Durante toda esta semana as entrevistas que fizemos a várias mulheres do setor são prova disso. Falo das Engenheiras Odete Almeida, Cláudia Casaca, Isabel Sarmento e Ana Fernandes, a quem agradeço a disponibilidade para se associarem a esta iniciativa da AIPOR e as quais parabenizo pela carreira de sucesso que construíram. São exemplos de sucesso no setor e as suas carreiras são inspiradoras para muitas jovens e outras mulheres!
Às jovens que estão a escolher o seu percurso profissional, diria que não deixem que os clichés condicionem as vossas ambições. O setor AVAC&R é uma área tecnológica, dinâmica e indispensável à transformação energética de que precisamos. Oferece oportunidades em engenharia, instalação, manutenção, projeto, inovação e gestão, entre muitas outras. Portugal precisa de profissionais qualificados, e o futuro das instalações técnicas será construído por pessoas com conhecimento, iniciativa e vontade de aprender. As profissões não devem ser definidas pelo género. Por isso, a minha mensagem é simples: procurem conhecer o setor, apostem na qualificação e tenham confiança nas vossas capacidades. A AIPOR acredita que valorizar o talento, independentemente do género, é essencial para termos empresas mais fortes e um setor mais preparado para o futuro.
AIPOR - É Presidente da Direção da AIPOR, e um exemplo de como hoje as mulheres chegam às lideranças de uma forma natural. Como tem sido a sua experiência no cargo?
CELESTE CAMPINHO - Ser presidente da Direção da AIPOR é uma experiência de grande responsabilidade e, simultaneamente, um desafio profissional muito enriquecedor. Representar uma associação ligada a um setor tão técnico e essencial para a economia, implica ouvir as empresas, compreender as suas dificuldades, acompanhar a evolução legislativa e tecnológica e trabalhar para encontrar respostas para os desafios que se colocam todos os dias aos instaladores. Tenho procurado exercer esta função com sentido de responsabilidade, proximidade ao tecido empresarial e determinação na defesa dos interesses do setor. Acredito que o associativismo tem um papel fundamental na valorização das empresas, na qualificação dos profissionais e na criação de condições para que as Instalações Técnicas Especiais sejam reconhecidas pela sua importância na construção, na reabilitação e na eficiência energética dos edifícios.
Relativamente à presença das mulheres em cargos de liderança, considero que estamos a evoluir, mas que ainda há um caminho a percorrer em muitos setores. O mais importante é que o acesso aos cargos de responsabilidade seja cada vez mais encarado com naturalidade, tendo por base a competência, a experiência, a capacidade de liderança e os resultados. Não devemos olhar para a presença de uma mulher num cargo de direção como uma exceção, mas como algo perfeitamente natural. O objetivo deve ser que qualquer pessoa, independentemente do género, possa chegar a essas funções pelo seu mérito e pelas suas capacidades, técnicas, profissionais e humanas. Acredito que a diversidade fortalece as organizações. Na AIPOR, o meu compromisso é continuar a trabalhar em prol das empresas e dos profissionais do setor, contribuindo para uma associação mais forte e para um setor AVAC&R mais qualificado, competitivo e preparado para os desafios da transição energética.
Acompanha a Semana Global das Mulheres no setor AVAC&R,
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