Semana de trabalho com apenas quatro dias?

Empresa espanhola implementa a medida desde o dia 1 de janeiro

10 de janeiro de 2020
Semana de trabalho com apenas quatro dias?
Foi testada no Japão pela Microsoft e rejeitada na Finlândia, mas desde o início do ano que uma empresa de software espanhola implementou a semana de trabalho de quatro dias.
Localizada na cidade de Jaén, comunidade autónoma da Andaluzia, a Delson emprega 181 trabalhadores, numa comunidade onde habitam pouco mais de 10 mil habitantes, conta o “El Economista” esta sexta-feira, 10 de janeiro.

Os 181 funcionários da empresa desfrutam de quatro dias de trabalho semanal em turnos de oito horas diárias e sem que o seu salário diminua. “Uma parte da nossa equipa trabalha apenas de segunda a quinta-feira, e o restante em blocos de quatro dias contínuos, alternando de segunda a sexta-feira e mantendo um dia de folga por semana”, explica a empresa em comunicado.

Juan Antonio Mallenco, responsável pela comunicação e relações institucionais da empresa, afirma que esta “não foi uma decisão tomada de ânimo leve” e que o comité da empresa, bem como os trabalhadores e serviços jurídicos já analisavam esta medida desde 2019. “Esperamos obter um aumento da produtividade, como mostram outros exemplos na Europa e no resto do mundo, bem como um retorno positivo através da atração de talentos para a sua equipa”, salienta a empresa.

A Delson fornece serviços de aplicação e desenvolvimento de programas para 53 mil pequenas e médias empresas de Espanha, um terço delas na Catalunha. A companhia explica que este novo sistema se baseia num ajuste de tempo que funcionará por 36 horas semanais no inverno e 28 horas no verão. Apesar do menor número de horas de trabalho, o atendimento ao cliente não será prejudicado, pois a semana inovadora da Delsol é acompanhada por 25 novas adições para cobrir todos os turnos. A empresa possui 28 anos de história no município de Jaén que conta com quase 10 mil habitantes.

A empresa acredita que a melhoria das condições dos seus funcionários e o maior descanso e conciliação dos mesmos resultarão numa maior produtividade e capacidade de trabalho, ao mesmo tempo que criam uma maior fidelidade e lealdade no ambiente de trabalho.


Produtividade da Microsoft disparou 40% no Japão

A Microsoft testou uma semana de quatro dias de trabalho nos seus escritórios no Japão. Resultado: a felicidade dos trabalhadores aumentou, mas também a sua produtividade. O programa envolveu 2.300 trabalhadores que tiveram as sextas-feiras de folga. O Work-Life Challenge Summer 2019 decorreu durante o mês de agosto.

As semanas de quatro dias levaram a reuniões mais eficientes, trabalhadores mais felizes, com a produtividade a disparar 40%, concluiu a empresa. Além das semanas mais curtas, os trabalhadores também receberam 920 doláres (827 euros) de subsídio de férias.

A par do aumento da produtividade, os trabalhadores reduziram as pausas em 25%, e o consumo de eletricidade caiu 23% nos escritórios. Já a impressão de páginas caiu 59%. Os trabalhadores não têm dúvidas: 92% disseram gostar da semana mais curta. Durante o programa, o salário dos trabalhadores não sofreu qualquer redução.

“Trabalhem durante pouco tempo, descansem bem e aprendam muito. Quero que os trabalhadores pensem e experienciem sobre como podem alcançar os mesmos resultados trabalhando menos 20% do tempo”, disse o presidente da Microsoft Japão, Takuya Hirano.


Primeira ministra finlandesa chegou a defender medidas, mas Governo não avança

A nova primeira-ministra da Finlândia defendeu uma semana de trabalho mais curta enquanto ministra, mas o seu Governo não pretende avançar com esta medida.

Sanna Marin de 34 anos, a segunda chefe de Governo mais jovem do mundo, referiu há cinco meses que esta medida iria permitir aos trabalhadores passarem mais tempo com as suas famílias. “Acredito que as pessoas merecem passar mais tempo com suas famílias, entes queridos, hobbies e outros aspectos da vida, como a cultura”.

Antes de se tornar primeira ministra, Sanna Marin ocupou o cargo de ministra dos Transportes da Finlândia. Enquanto esteve no cargo, Marin defendeu semanas de trabalho mais curtas para melhorar o relacionamento e a produtividade dos funcionários.

Atualmente, na Finlândia, é normal trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana. “É importante permitir que os cidadãos finlandeses trabalhem menos. Não se trata de governar com um estilo feminino, mas de oferecer ajuda e manter as promessas aos eleitores”, salientou então Sanna Marin.

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