PRR está a impulsionar economia mas há alertas a ter em conta

Conselho das Finanças Públicas deixa avisos sobre o PRR

20 de setembro, 2024
PRR está a impulsionar economia mas há alertas a ter em conta
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está a impulsionar a economia portuguesa, mas o seu fim, em 2027, terá «um impacto negativo significativo» que pode ser contrariado com medidas do Governo, alerta o Conselho das Finanças Públicas (CFP).
Na atualização das Perspetivas Económicas e Orçamentais 2024-2028 divulgada esta quinta-feira, o organismo liderado por Nazaré Costa Cabral destaca que o «sucesso na redução do rácio da dívida pública deve ser atribuído ao PRR europeu que, com algum atraso, está a impulsionar o investimento público em Portugal, estimulando assim a atividade económica no país».
 
Os efeitos favoráveis continuam até 2026, altura em que terminará, mas depois «a partir de 2027 o investimento público em Portugal registará uma quebra significativa».

Esta quebra no investimento total «terá consequências negativas: a curto prazo, terá um efeito negativo na atividade económica; a longo prazo, abrandará o ritmo de investimento que é necessário para implementar com sucesso a transição energética na economia portuguesa e para enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas e demográficas e pela transição digital», alerta o CFP.

Existe então «o risco de o PRR introduzir um ciclo na economia portuguesa» no qual, após uma expansão em 2024-2026, «se iniciará uma dinâmica inversa com consequências negativas para o crescimento a curto e a longo prazo».

Contudo, as projeções que apontam para este impacto negativo são desenhadas num cenário de políticas invariantes, pelo que a ação do Governo pode evitar estes efeitos.

«A partir de 2027, abrir-se-á a possibilidade de opções de política que permitirão evitar este cenário de aceleração e desaceleração», sugere o CFP, apontando que há a «possibilidade de manter e mesmo reforçar o investimento público produtivo e com financiamento nacional (como alternativa às preferências estritas por despesas públicas correntes permanentes), mesmo que isso implique, num primeiro momento, abrandar a trajetória descendente do rácio da dívida para aumentar o investimento público».

Nestas perspetivas económicas, o CFP prevê um crescimento da economia de 1,8% em 2024, de 2,4% em 2025 e 2,1% em 2026. Em termos orçamentais, mantém-se a perspetiva de excedentes no horizonte em análise, enquanto o rácio da dívida pública deverá situar-se em 78,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2028.