Arquitetos do Porto criam soluções pré-fabricadas para habitação pública

O estúdio SUMMARY está a desenvolver projetos em Oeiras e Vale de Cambra que reduzem para metade o tempo de construção tradicional

7 de julho, 2026
condomínio de vivendas
Crédito da Foto: Direitos Reservados
O estúdio de arquitetura SUMMARY, atelier graduado da UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, está a desenvolver projetos de construção modulares e pré-fabricados que permitem uma resposta mais rápida à dificuldade de acesso à habitação sentida em Portugal, onde o parque habitacional público se mantém como um dos mais baixos da Europa (2% em comparação com a média europeia de 8%, de acordo com a OCDE).
As soluções criadas pelo estúdio já estão a ser implementadas em vários municípios, com projetos atualmente em fase de construção em Oeiras, onde estão a ser desenvolvidas 62 habitações, e em Vale de Cambra, num projeto com 20 habitações. 

Comparativamente aos métodos de construção tradicionais, a utilização de materiais pré-fabricados pode reduzir para metade a duração de uma obra.

«No caso da Politeira, em Oeiras, a obra foi iniciada em outubro de 2025 e estará concluída antes de outubro de 2026, ou seja, estão a construir-se 14 casas em menos de um ano», assinala Samuel Gonçalves, arquiteto e diretor do SUMMARY, citado em comunicado. 

Nas 82 habitações públicas em construção, a equipa do SUMMARY explorou diferentes materiais: betão armado, no caso do projeto de Vale de Cambra, madeira, no Bairro da Politeira, em Oeiras, e aço, em São Marçal, também no município de Oeiras. Este último projeto, com cinco pisos e 48 casas, é o maior complexo construído em Portugal utilizando o método PPVC – «Prefabricated Prefinished Volumetric Construction».

Os módulos destas construções são totalmente produzidos em fábricas portuguesas, incluindo boa parte dos acabamentos interiores e exteriores, janelas, carpintarias e instalações sanitárias, permitindo uma montagem rápida, reduzindo a produção de resíduos e o impacto da obra na vizinhança, com menos pó, menos ruído e menos limitações de trânsito. 

«Não devemos ser obrigados a escolher entre construir rápido ou bem», acrescenta Samuel Gonçalves. «É perfeitamente possível desenvolver projetos que prevejam a pré-fabricação da maioria dos componentes, assegurando os padrões de qualidade necessários e acelerando significativamente os prazos de construção», remata.