Preço elevado da energia são oportunidade para renováveis

Análise da agência norte-americana Moody’s

30 de novembro de 2021
Preço elevado da energia são oportunidade para renováveis
Os recentes máximos históricos verificados no mercado ibérico de energia colocam sob pressão os orçamentos das famílias, mas a tendência será de queda, um fenómeno acentuado pela crescente importância das fontes renováveis na península.
Os elevados preços registados recentemente no mercado energético ibérico constituem riscos políticos pela necessidade de controlar o peso que esta rubrica tem nos orçamentos familiares, embora este risco seja superior em Espanha, alerta a Moody’s. Este é um fenómeno que deverá abrandar consideravelmente nos próximos anos com a proliferação cada vez maior de energias renováveis, mas a agência alerta para os investimentos significativos que ambos os países terão de fazer para atingir os seus objetivos nesta matéria.

Num relatório divulgado esta terça-feira, a Moody’s destaca os máximos históricos registados no mercado energético ibérico, que ultrapassaram os 250 euros por megawatt-hora (MWh), colocando Portugal e Espanha entre os países da UE com preços mais elevados da energia, tanto em termos absolutos, como numa comparação tendo em conta a paridade de poder de compra.

Ainda assim, a perspetiva é que este efeito abrande no médio prazo, com os contratos futuros a mostrarem já uma descida do preço dos MWh nos próximos meses. Como tal, a agência estima que, em 2023, este indicador atinja uma média de 79 euros e de 61 no ano seguinte.

Esta tendência de descida será também provocada pela cada vez maior importância do mercado de renováveis na península. A análise da Moody’s lembra que mais de metade da energia produzida no espaço ibérico provém já de fontes renováveis, uma tendência fomentada pelo aumento da taxação nas emissões de dióxido de carbono e que a pandemia veio acelerar ainda mais.

Mas para atingir os objetivos portugueses e espanhóis no capítulo da descarbonização, ambos os países terão de duplicar a sua capacidade produtiva em termos de energias renováveis. Isto traduz-se em investimentos de 400 a 430 mil milhões de euros para o nosso país no período entre 2016 e 2030, o que representa uma oportunidade para as empresas do sector, denota a agência norte-americana.

A Iberdrola, EDP e Endesa serão as principais beneficiárias desta tendência, dado que já possuem uma infraestrutura assinalável em termos de renováveis e acesso a uma extensa rede de consumidores.

No entanto, em Espanha as pressões regulatórias são mais notórias, o que pode condicionar o investimento futuro neste sector, algo que se começou já a verificar nos últimos leilões daquele país. Pelo contrário, em Portugal a intervenção do Estado tem-se focado “na proteção dos consumidores”, considera a Moody’s, sendo ainda neutra do ponto de vista do crédito aos agentes do sector.

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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