Investigadores do Técnico lideram projeto internacional na área da segurança quântica

Projeto QuantumPUF

1 de abril, 2026
Investigadores do Técnico lideram projeto internacional na área da segurança quântica
Crédito da Foto: IST
Falamos de um projeto que articula física, ciência dos materiais, engenharia e criptografia para o desenvolvimento de dispositivos mais seguros, com funções físicas não clonáveis.
O QuantumPUF é o novo projeto de investigação europeu que promete reduzir o risco de roubo, cópia ou extração de credenciais digitais através da física quântica.

O projeto coordenado pelo Instituto de Telecomunicações, reúne uma equipa multidisciplinar de investigadores e instituições de toda a Europa, incluindo Paulo André, Emmanuel Cruzeiro, Paulo Mateus, Preeti Yadav, Ana Bastos, Chrysoula Vlachou, investigadores do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.  

O projeto, financiado pelo programa europeu EIC Pathfinder, procura desenvolver Quantum Physical Unclonable Functions (PUF) com leitura portátil, baseadas em materiais luminescentes e em propriedades quânticas difíceis de replicar. Tal significa que os dispositivos que usamos no quotidiano poderão vir a integrar funções físicas não clonáveis, em vez de dependerem apenas de credenciais digitais armazenadas, como palavras-passe ou chaves criptográficas. 

«A ‘identidade’ do dispositivo está incorporada na sua própria matéria e resulta de pequenas variações físicas introduzidas no processo de fabrico, que são praticamente impossíveis de reproduzir ou copiar», explica Paulo André, também professor do Técnico, numa nota no site da instituição.

Para o investigador, este projeto representa «uma mudança importante de paradigma na segurança», que poderá traduzir-se em dispositivos «mais seguros e mais fiáveis, sem aumentar a complexidade de utilização».

A combinação de áreas como a fotónica, a engenharia de materiais e a criptografia quântica é vista como um avanço no desenvolvimento de «novas soluções de autenticação seguras». O investigador sublinha que este projeto abre portas a aplicações práticas fora dos laboratórios: «Um dos aspetos mais promissores é a ambição de tornar essas assinaturas legíveis por sensores óticos portáteis e, no futuro, potencialmente até por câmaras de smartphone».