Renováveis geram 5,3 mil milhões de euros para o PIB e poupam até 636€ por ano às famílias portuguesas
Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal confirma o setor das renováveis como pilar da economia nacional e motor de redução da fatura energética
7 de maio, 2026

Crédito da Foto: Pixabay
A APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis apresentou, esta semana, o «Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal», desenvolvido pela consultora EY-Parthenon, que evidencia o papel crescente do setor das renováveis como um dos principais motores da economia nacional presentes e de futuro, e um fator determinante na redução dos custos energéticos para famílias e empresas.
Em 2024, as energias renováveis contribuíram com 5,34 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a mais de 1% da economia nacional, na mesma ordem de grandeza de setores tradicionais da economia portuguesa, como o agroalimentar. Este valor reflete uma transformação estrutural do setor, com destaque para a energia eólica e hídrica, responsáveis por mais de 80% do impacto direto.
O estudo aponta para um potencial de crescimento do impacto no PIB superior a 370% até 2040, podendo o contributo das renováveis atingir 32,2 mil milhões de euros por ano nessa altura. Um cenário que posiciona o setor como um verdadeiro motor económico, mas que depende da criação de condições estruturais, nomeadamente ao nível do licenciamento, investimento em redes e capacidade de armazenamento.
Além do impacto macroeconómico, o setor tem registado uma evolução expressiva em indicadores-chave como o emprego, a qualificação e a contribuição fiscal. O número de postos de trabalho nas energias renováveis cresceu 224% desde 2014 e 121% entre 2021 e 2024, refletindo a rápida expansão do setor em Portugal.
Este crescimento tem sido acompanhado por uma valorização das remunerações acima do ritmo de criação de emprego, sinalizando uma crescente especialização e qualificação da força de trabalho, associada a atividades de maior valor acrescentado ao longo da cadeia, desde o desenvolvimento de projetos à operação e manutenção de infraestruturas. Na análise a 2040, prevê-se um crescimento de mais de 400% no emprego do setor, e de 29% do salário médio.
Também ao nível fiscal, o contributo do setor tem vindo a ganhar peso. Só entre 2023 e 2024, a receita de IRS associada às energias renováveis cresceu 17%, sendo que, num cenário de desenvolvimento favorável, este impacto poderá aumentar cerca de 500% até 2040, acompanhando o crescimento esperado da atividade económica do setor.
O impacto das energias renováveis estende-se diretamente ao dia a dia dos consumidores. Entre 2018 e 2025, a integração de energia com custo marginal reduzido no Mercado Ibérico de Eletricidade gerou poupanças acumuladas de quase 42 mil milhões de euros, traduzindo-se, em 2024, numa redução da fatura anual até 636 euros para famílias e mais de 63 mil euros para empresas.