BCE vê economia da zona euro a crescer 5% este ano

Crescimento dos países da moeda única de 5% este ano e de 4,6% em 2022

10 de setembro de 2021
BCE vê economia da zona euro a crescer 5% este ano
O BCE projeta crescimento dos países da moeda única de 5% este ano e de 4,6% em 2022. O staff do banco central reviu em alta as projeções para a inflação anual para 2,2% este ano e 1,7% no próximo ano.
 Banco Central Europeu (BCE) melhorou projeções de crescimento da economia da zona euro para 5% este ano, enquanto as perspetivas de inflação também sobem face a junho, esperando agora que a taxa atinja 2,2%, antes de começar a cair ao longo dos próximos dois anos.

No cenário base, o staff do BCE vê a economia dos países da moeda única a crescer este ano mais 0,4 pontos percentuais (p.p.) do que esperava em junho (4,6%). Para 2022 projeta uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,6%, mais o,1 p.p. face às últimas projeções, e um crescimento de 2,1% em 2023.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, explicou que com o levantamento das restrições, o setor dos serviços está a beneficiar de um regresso ao consumo em lojas, restaures e viagens e turismo, com a indústria também a apresentar um “forte desempenho”, ainda que a produção continue a ser retida pela escassez de materiais e equipamentos.

“A variante Delta até agora não exigiu que as medidas de lockdown fossem reimpostas. Mas pode desacelerar a recuperação do comércio global e a reabertura total da economia”, reconheceu Lagarde, em conferência de imprensa, após a reunião do Conselho de Governadores desta quinta-feira.

O BCE sublinha que os gastos dos consumidores estão a aumentar, ainda que estes se mantenham cautelosos devido os desenvolvimentos da situação pandémica. Também o mercado de trabalho está a melhorar “rapidamente”, sinaliza Lagarde, que antecipa que tal deverá trazer um aumento dos rendimentos e do consumo.

“A recuperação da procura interna e global está a aumentar ainda mais o otimismo entre as empresas, o que está a apoiar o investimento empresarial”, vincou, ainda que reconheça que “existe um caminho a percorrer” para que o impacto da pandemia na economia seja superado.

Relativamente à inflação, o staff do BCE reviu em alta as projeções face a junho e estima agora uma inflação anual de 2,2% este ano, de 1,7% no próximo ano e de 1,5% em 2023. A inflação excluindo os preços dos alimentos e da energia é projetada para uma média de 1,3% este ano, 1,4% em 2022 e 1,5% em 2023.

“Esperamos que a inflação suba ainda mais durante este outono, mas diminua no próximo ano. Este aumento temporário da inflação reflete principalmente o forte aumento dos preços do petróleo desde meados do ano passada, a reversão da redução temporária do IVA na Alemanha, atrasos nas vendas de verão em 2020 e pressões de custo decorrentes da escassez temporária de materiais e equipamentos. No decurso de 2022, esses factores deverão atenuar ou não ser incluídos no cálculo da inflação homóloga”, acrescentou Lagarde, reiterando que “o aumento da inflação deverá ser temporário”.

Apesar de considerar que a economia da zona euro está “claramente a recuperar”, a presidente do BCE alertou que “a velocidade da recuperação continua a depender da evolução da pandemia e do progresso da vacinação”.

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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