Subida dos juros vai pressionar empresas

Uma em quatro empresas estará em situação vulnerável em 2023

24 de novembro de 2022
Subida dos juros vai pressionar empresas
A pandemia deixou muitas empresas em situação de maior fragilidade. Enquanto algumas recuperaram, outras nem por isso e, agora, o contexto apresenta-se mais desafiante com a escalada da inflação e a subida das taxas de juro. Neste cenário, o número de empresas em vulnerabilidade vai aumentar, antecipa o Banco de Portugal: mais de 25% registará dificuldades em gerar negócio para pagar os empréstimos ao banco no próximo ano, quando essa proporção era de 12,3% em 2019.
“O aumento esperado das taxas de juro até meados de 2023 deverá ter um impacto significativo e relativamente rápido no custo de financiamento das empresas, o que constitui um risco para a capacidade de serviço de dívida”, revela o Banco de Portugal no Relatório de Estabilidade Financeira.

A análise tem por base uma subida das taxas Euribor para 3% em 2023, que se refletirá num aumento da prestação dos empréstimos não só para as famílias, mas também para as empresas. Uma empresa é considerada vulnerável se tiver EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) negativo ou se o EBITDA gerado num ano representar mais de metade do serviço da dívida.

Nem todas as empresas sentirão o mesmo impacto do aperto das condições financeiras do Banco Central Europeu (BCE) para controlar a inflação, revelam os dados do supervisor nacional.

Por exemplo, as microempresas serão mais afetadas: 31% estará em situação de vulnerabilidade no próximo ano, que compara negativamente com os 18,3% registados em 2019, mas evidenciando uma ligeira melhoria em relação a 2020 (32,8%). Já as pequenas empresas parecem estar em melhor posição do que as restantes, incluindo as grandes empresas.

O estudo traça ainda uma análise por setor de atividade. Conclui que o setor do alojamento e restauração (predominantemente ligados ao turismo) será novamente o mais penalizado, depois da pandemia: 42,5% das empresas estarão em situação vulnerável em 2023 – em 2020 essa proporção foi de quase 70%.

Apesar do ambiente de dificuldade, o Banco de Portugal lembra que a situação financeira das empresas em 2021 é mais favorável do que a observada na crise da divida soberana de 2011. Esta realidade está refletida, entre outros aspetos, num aumento considerável do dinheiro que têm depositado no banco e que poderá ajudar a aliviar o impacto da subida dos juros.

A possibilidade de usar os excedentes de liquidez acumulados nos anos anteriores à pandemia permite reduzir em dois pontos percentuais a proporção de empresas em vulnerabilidade no próximo ano, estima o Banco de Portugal. Todavia, a grande maioria não conseguirá disfarçar as dificuldades mesmo assim.

Fonte: eco.sapo.pt

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