Entrevista com José Paulo Pinto, Gestor-Coordenador da Tektónica

Definição de objetivos, parceria com a AIPOR e o que se pode esperar da feira

19 de fevereiro, 2026
Entrevista com José Paulo Pinto, Gestor-Coordenador da Tektónica
Crédito das fotos: Tektónica
«A Tektónica tem vindo a afirmar-se, ao longo das suas edições, como um verdadeiro motor do setor da construção em Portugal», afirma em entrevista à AIPOR, José Paulo Pinto, Gestor-Coordenador da feira. Antecipando a edição da feira, que se realiza de 23 a 25 de abril, na FIL, Parque das Nações, em Lisboa, o responsável detalha os objetivos do certame e o que podem os profissionais esperar durante os três dias do evento. 
AIPOR: Qual o tema central da edição de 2026 da Tektónica?
José Paulo Pinto: A Tektónica 2026 terá como tema central a inovação ao serviço da competitividade sustentável, estruturando-se em torno de três grandes eixos estratégicos que refletem as principais transformações do setor da construção: um dos eixos a destacar é a Sustentabilidade e Transição Energética, com enfoque na economia circular, na eficiência energética e no desenvolvimento de soluções de baixo carbono. Outro eixo fundamental será a Industrialização da Construção, promovendo novos materiais, processos construtivos inovadores e modelos como a construção modular, bem como a digitalização e automação, que impulsionam ganhos de produtividade e qualidade e ainda, o eixo que assenta no conceito de Smart Building, evidenciando a integração de sistemas inteligentes na gestão de edifícios e infraestruturas, numa perspetiva alinhada com as cidades do futuro e a reabilitação urbana sustentável.

AIPOR: Sobre as empresas que estarão presentes, qual a sua dimensão e que setores estão mais representados? Pedia que me indicasse o número de expositores confirmados até ao momento.
José Paulo Pinto: A Tektónica regista, nesta fase da comercialização, mais de 350 expositores confirmados, entre empresas nacionais e internacionais, o que demonstra um forte dinamismo empresarial e a confiança do setor na feira enquanto plataforma estratégica de negócio. A participação é marcada por uma grande diversidade de dimensões empresariais, integrando desde PME altamente especializadas e empresas inovadoras até grandes grupos líderes nos seus segmentos de atividade, reforçando a abrangência e representatividade do evento ao longo de toda a cadeia de valor da construção. Com uma área expositiva superior a 35.000 m², distribuída pelos pavilhões e áreas exteriores da FIL – Feira Internacional de Lisboa, a feira organiza-se em oito grandes setores que reflectem a sua transversalidade: Pavimentos e Revestimentos, Banho e Cozinha, Materiais, Máquinas e Equipamentos, Eficiência Energética, Equipamentos de Exterior, Serviços para a Construção, Novos Materiais e Processos Construtivos e Smart Building. Entre as áreas representadas destacam-se as soluções ligadas à eficiência energética, aos novos materiais e sistemas construtivos, à industrialização da construção e às tecnologias digitais aplicadas aos edifícios. Nesta edição, assume ainda particular relevância o reforço da área de Máquinas para a Construção, que vem complementar e ampliar a oferta existente, consolidando a Tektónica como a feira de referência do setor no contexto ibérico.

Programa diversificado

AIPOR: Que atividades paralelas e conferências destaca nesta edição?
José Paulo Pinto:
A Tektónica contará com um programa diversificado de atividades paralelas, atualmente em fase de planeamento e agendamento pelas entidades parceiras, que será orientado sobretudo para o público profissional e centrado na partilha de conhecimento, inovação e network qualificado. As empresas expositoras terão diversas oportunidades de ativação da sua presença na feira, através de apresentações comerciais, seminários técnicos, e talks temáticas, potenciando contactos estratégicos e a criação de novas oportunidades de negócio. O programa de conferências deverá abordar temas estruturantes para o setor, como a sustentabilidade, a transição energética, a digitalização da construção, a evolução dos modelos produtivos e os desafios regulamentares, contribuindo para a reflexão estratégica e para a capacitação contínua dos profissionais num contexto de profunda transformação do mercado.

AIPOR: Segundo é público, a edição de 2026 introduz novos sectores em exposição e destaca uma nova área dedicada a Máquinas para a Construção. Qual o objectivo desta aposta?
José Paulo Pinto:
A Tektónica 2026 introduz, nesta edição, um reforço claro na área de Máquinas para a Construção, uma aposta que resulta da análise das últimas edições, onde se verificou uma procura crescente por parte dos visitantes profissionais por soluções associadas a maquinaria pesada para construção civil e obras públicas. O principal objetivo desta nova área passa por alargar e diversificar a oferta expositiva, respondendo de forma mais completa às necessidades atuais do mercado. Ao integrar empresas líderes neste segmento, a Tektónica procura dar resposta direta a essa procura, enriquecendo o projeto e fortalecendo a sua relevância junto de empreiteiros, promotores, engenheiros e outros decisores do setor. A criação de uma área dedicada às Máquinas para a Construção permite ainda evidenciar o papel determinante destes equipamentos na modernização, produtividade e eficiência dos processos construtivos, reforçando a ligação entre tecnologia, inovação e execução em obra. Com a introdução de novos setores e o reforço desta componente, a feira consolida-se como um marketplace cada vez mais abrangente, capaz de representar de forma integrada toda a cadeia de valor da construção.

AIPOR: Quanto ao ambiente económico, e tendo em conta a robustez do setor da Construção, que conta igualmente com fragilidades decorrentes da conjuntura económica internacional, de que forma a Tektónica será um impulso para esse desafio?
José Paulo Pinto:
A Tektónica tem vindo a afirmar-se, ao longo das suas edições, como um verdadeiro motor do setor da construção em Portugal, atuando em três dimensões essenciais para o desenvolvimento e competitividade do mercado. Em primeiro lugar, assume-se como um marketplace de referência. Enquanto feira líder em Portugal, cria um espaço privilegiado de convergência entre empresas nacionais e internacionais e os principais profissionais e decisores do setor. É o ponto de encontro preferencial para todos os players da construção, proporcionando contacto direto com um público altamente qualificado que procura soluções, equipamentos e inovação, gerando novas oportunidades de negócio e fomentando parcerias estratégicas. Em segundo lugar, funciona como um acelerador da inovação. A Tektónica antecipa tendências e responde às necessidades emergentes do mercado, apresentando soluções alinhadas com os grandes desafios atuais, como a industrialização da construção, a eficiência energética e a integração de tecnologias inteligentes associadas ao conceito de Smart Building. Por fim, é também uma alavanca para a competitividade. As empresas, durante os dias de realização do evento, têm uma oportunidade única de tomarem conhecimento de novos produtos, novos processos, bem como o acesso a tecnologias como o BIM, contribuindo assim para a otimização dos seus processos industriais, para a redução de custos operacionais, permitindo um melhor posicionamento face às exigências globais de sustentabilidade, inovação e eficiência.

AIPOR: No que respeita aos compradores internacionais, o que destacaria este ano? A internacionalização da feira continua a ser uma realidade e em que é que isso se reflete?
José Paulo Pinto:
A Tektónica reforça de forma clara, nesta edição, a sua vertente de internacionalização, evidenciada pelo crescimento sustentado da presença de empresas estrangeiras. Em 2026, os expositores internacionais representam cerca de 15% do total, provenientes de mercados como Espanha, França, Países Baixos, Bélgica, Itália, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, entre outros. Entre estes, merece especial destaque o mercado espanhol. O interesse das empresas de Espanha na Tektónica tem vindo a crescer de forma muito consistente, traduzindo-se já na participação efetiva de dezenas de empresas espanholas. Esta presença reforçada confirma o reconhecimento da feira como plataforma estratégica no contexto ibérico, não apenas pela proximidade geográfica, mas também pela complementaridade e dimensão dos dois mercados. O evento atua como um ponto de ligação privilegiado entre Portugal e Espanha, potenciando sinergias, parcerias comerciais e expansão empresarial nos dois sentidos. Esta evolução internacional não se verifica apenas ao nível dos expositores. Regista-se igualmente um aumento do número de visitantes profissionais estrangeiros, com particular incidência em mercados de maior proximidade como Espanha, Marrocos, França, Itália e Alemanha. Estes profissionais visitam a feira com o objetivo de conhecer a oferta nacional, identificar soluções inovadoras e, em muitos casos, estabelecer acordos de representação, distribuição ou parcerias estratégicas em território português. A internacionalização é, assim, uma realidade cada vez mais consolidada, reforçando a Tektónica o seu papel enquanto plataforma de negócios, de apoio à exportação e de afirmação das empresas portuguesas e ibéricas num mercado cada vez mais global e competitivo.

«Parceria AIPOR-Tektónica volta a assumir um papel estratégico»

AIPOR: A AIPOR é, mais uma vez, um parceiro da Tektónica. Como avalia esta parceria e que mais-valias traz ao mercado?
José Paulo Pinto:
A parceria entre a Tektónica e a AIPOR - Associação dos Instaladores de Portugal volta a assumir um papel estratégico nesta edição, reforçando uma colaboração que tem vindo a consolidar-se ao longo dos últimos anos. Para a Tektónica, enquanto principal ponto de encontro da fileira da construção em Portugal, é fundamental contar com o envolvimento ativo de uma das mais relevantes associações profissionais do setor.
Esta parceria acrescenta credibilidade e representatividade ao evento, não só pelo peso institucional da AIPOR, mas também pela sua capacidade de mobilização junto de milhares de profissionais e empresas. A associação atua como um importante veículo de divulgação da feira, contribuindo para atrair visitantes altamente qualificados e decisores com influência direta nos processos de prescrição, instalação e execução de obra. A presença da AIPOR com stand próprio potencia ainda o contacto direto com empresários, instaladores e empresas do setor, permitindo promover a sua atividade, dinamismo e iniciativas formativas, ao mesmo tempo que reforça o network e a proximidade entre os diferentes intervenientes da cadeia de valor da construção. Trata-se, assim, de uma parceria que gera valor efetivo para o mercado e que contribui para elevar a qualidade e o impacto da Tektónica junto dos profissionais.

AIPOR: Por fim, que diagnóstico traça do setor da Construção e Obras Públicas em Portugal e o que espera para este ano? Quais os desafios e os constrangimentos?
José Paulo Pinto:
O setor da Construção e Obras Públicas em Portugal mantém-se como um dos principais pilares da economia nacional, com uma previsão de crescimento na ordem dos 4,4% em 2026, consolidando o seu papel como motor estratégico de desenvolvimento. Este desempenho resulta, em grande medida, de fatores conjunturais relevantes, desde logo o impulso público associado ao PRR, que tem vindo a dinamizar de forma muito significativa as obras públicas e os projetos de infraestruturas. Paralelamente, o setor imobiliário continua a evidenciar resiliência, com investimento privado ativo, aumento do número de licenças de construção e níveis elevados de confiança por parte dos investidores, particularmente nos segmentos da habitação e da reabilitação urbana. Apesar deste enquadramento positivo, persistem desafios estruturais que condicionam o crescimento sustentado do setor. A escassez de mão de obra qualificada continua a ser um dos maiores entraves à atividade, agravando prazos e custos. A burocracia, a morosidade dos processos de licenciamento e alguma incerteza regulatória afetam igualmente o planeamento e a rentabilidade dos projetos. A estes fatores juntam-se ainda as exigências crescentes em matéria ambiental, a necessidade de maior eficiência produtiva e a aceleração da transição digital. Neste contexto, a inovação, a industrialização da construção e a adoção de soluções mais sustentáveis e tecnologicamente avançadas assumem-se como respostas determinantes para produzir mais e melhor com menos recursos, reforçando a competitividade das empresas. É precisamente neste enquadramento que a Tektónica 2026 ganha particular relevância, ao afirmar-se como um espaço privilegiado de debate, partilha de conhecimento e apresentação de soluções concretas para os desafios atuais, contribuindo ativamente para a construção de um setor mais eficiente, resiliente e preparado para o futuro.