Renováveis garantiram 72,7% da produção de eletricidade
Portugal é o terceiro país europeu com maior peso de renováveis na geração elétrica (76,3%)
19 de junho, 2026

Crédito da Foto: Pixabay
O Boletim Eletricidade Renovável de maio de 2026, elaborado pela APREN - Associação Portuguesa de Energias Renováveis, revela que, entre 1 e 31 de maio, 72,7% da eletricidade produzida em Portugal Continental teve origem em fontes renováveis, o que correspondeu a 2 651 GWh de um total de 3 648 GWh gerados no mês.
Durante o mês de maio, Portugal registou também 79 horas não consecutivas em que a geração renovável foi suficiente para suprir a totalidade do consumo de eletricidade do país.
A energia hídrica foi a principal fonte de produção elétrica em maio, representando 24,0% do total, seguida de perto pela energia eólica, com 22,8%, e pela tecnologia solar fotovoltaica, com 19,8%. A bioenergia assegurou ainda 6,0% da geração nacional durante este mês. No acumulado do ano, o sistema nacional operou 100% a renováveis durante 737 horas.
Entre janeiro e maio, o funcionamento da produção renovável evitou a importação de 442 milhões de euros (M€) em gás natural e de 351 M€ em eletricidade importada, permitindo adicionalmente uma poupança de 290 M€ em custos com licenças de emissão de CO2.
Os preços da eletricidade continuam também a ser positivamente impactados pela transição energética. Apesar de, em maio, o preço médio do MIBEL (Mercado Ibérico de Eletricidade) em Portugal se ter fixado nos 86,1 €/MWh, no acumulado entre janeiro e maio o preço horário médio recuou para os 44,5 €/MWh. Este valor traduz uma redução acentuada de 27,2% face ao período homólogo de 2025.
Face a estes indicadores, Portugal consolida a sua posição de destaque no plano internacional, assumindo o estatuto de terceiro país europeu com maior peso de renováveis na geração elétrica (76,3%), sendo superado apenas pela Noruega (96,7%) e pela Dinamarca (94,3%).
Susana Serôdio, Coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, afirma em comunicado que «os dados de maio demonstram que Portugal continua a afirmar-se como um dos países europeus com maior incorporação renovável no setor elétrico. Porém é urgente a necessidade de continuarmos a investir e de desbloquearmos os entraves que hoje existem. Só agilizando processos e otimizando as nossas infraestruturas conseguiremos aproveitar todo o potencial da energia verde que somos capazes de produzir, garantindo a independência e competitividade de Portugal no longo prazo».
Ao nível do parque eletroprodutor, os dados mostram que no final de abril de 2026, a capacidade renovável já representava 79,4% da potência total instalada em Portugal Continental. Esta evolução reflete um crescimento de 82,6% da capacidade instalada destas tecnologias na última década, cimentando o percurso de descarbonização do sistema.