Mercado habitacional mantém valorização num cenário de redução das transações

Dados são da Conjuntura da Construção, de junho de 2026, da AICCOPN

14 de julho, 2026
edifícios em perspetiva
Crédito da Foto: Magnific
No primeiro trimestre de 2026, foram transacionados 37.745 alojamentos, num montante global de 9.921 milhões de euros, o que corresponde, em termos homólogos, a um aumento de 3,2% no valor das transações e a uma diminuição de 8,7% no número de alojamentos transacionados. 
Em comparação com o trimestre anterior, o mercado habitacional registou uma contração, quer no valor das transações, que diminuiu 7,9%, quer no número de alojamentos transacionados, que recuou 12,4%. Paralelamente, o Índice de Preços da Habitação registou uma valorização de 17,8% face ao período homólogo e de 3,8% relativamente ao 4.º trimestre de 2025, confirmando a manutenção da pressão sobre os preços no mercado residencial.

Este desempenho do mercado habitacional continuou a ser suportado pela evolução favorável do financiamento à aquisição de habitação. Com efeito, até ao final de abril de 2026, os bancos concederam 7.778 milhões de euros em crédito à habitação, excluindo renegociações, o que representa um acréscimo de 11,9% face ao período homólogo. Esta dinâmica tem sido acompanhada por uma relativa estabilização das taxas de juro, que se mantêm praticamente inalteradas desde o início do ano.

Relativamente ao licenciamento municipal, os dados recolhidos revelam uma evolução diferenciada entre os segmentos residencial e não residencial. Até ao final de abril de 2026, a área licenciada para edifícios habitacionais registou uma redução homóloga de 7,2%, em contraste com o aumento de 18,2% observado na área licenciada para edifícios não residenciais. No que respeita aos fogos licenciados em construções novas para habitação, contabilizaram-se 14.099 alojamentos, traduzindo uma ligeira diminuição de 1% face ao mesmo período de 2025 e mantendo-se, em termos absolutos, em níveis muito próximos dos observados entre janeiro e abril do ano anterior.

Em linha com a evolução da atividade construtiva, o consumo de cimento no mercado nacional totalizou 1.713,2 milhares de toneladas até ao final de maio, refletindo um crescimento homólogo de 4,6%.

Já no segmento das obras públicas, o montante global dos concursos promovidos ascendeu a 2.906 milhões de euros até ao final de maio, traduzindo uma redução homóloga de 44% face aos 5.219 milhões de euros registados no mesmo período de 2025. 

Importa ressalvar que esta contração decorre, em grande medida, do efeito comparativo do lançamento do concurso extraordinário para a Linha Violeta do Metro de Lisboa no período homólogo de 2025. Adicionalmente, também o valor das empreitadas objeto de contrato celebrado e reportadas no Portal Base registou uma diminuição, embora menos acentuada, de 23%, totalizando 1.788 milhões de euros.